Arthur Schopenhauer
- INTRODUÇÃO
“Pregar o moral é fácil, fundamentar a moral é difícil”
Schopenhauer
Arthur Schopenhauer (1788 – 1860) é um filósofo atípico na história da filosofia, pois destaca-se pelo seu “pessimismo”, pois enquanto vários filósofos defendem a eudemonia (felicidade) como o modo de vida, Schopenhauer diz que dificilmente o homem será feliz por causa da ação da Vontade que é cega e irracional.
Em sua principal obra: “O Mundo como Vontade e Representação” publicada em 1819, Schopenhauer decanta sobre a “coisa-em-si” que ele chama de Vontade, vontade esta, que não se manifesta como um princípio racional, ao contrário, ela é o “impulso cego que leva todo ente, desde o inorgânico até o homem, a desejar sua preservação”.
Em toda sua vida Schopenhauer buscou o reconhecimento, mas não obteve êxito, somente no final da vida o filósofo conquista certo reconhecimento e seguidores com a publicação - em 1851 - de “Parerga e Paralipomena”
Parerga e Paralipomena é um grande tratado de vários assuntos, dentre eles há um capítulo intitulado: "Aforismos para a sabedoria de vida". Este capítulo em específico tirou o filósofo pessimista do anonimato que se encontrou por toda a vida, acarretando em quase uma década de reconhecimento internacional; o capítulo – a saber - é dividido em três partes: a) o que se é; b) o qeu se tem e c) o que se representa aos outros.
Schopenhauer, também ficou conhecido por introduzir no pensamento metafísico alemão – e por sua vez ocidental - ideias Budistas e Indianas, pois achava que estes pensamentos corroboravam para com o seu pessimismo e - inclusive - na obra que iremos analizar neste trabalho: “Sobre o Fundamento da Moral” de 1840 o filósofo faz várias citações dos referidos pensamentos orientais.
Neste trabalho temos o objetivo de expor e comentar a obra: “Sobre o Fundamento da Moral” do presente filósofo. Schopenhauer escreveu este livro com o intento de concorrer ao prêmio da Academia Real Dinamarquesa de Ciências de Copenhague, mas não conseguiu vencer o concurso; apesar do não êxito ele escreveu uma obra genial que influencia e influenciou vários autores ao longo da história da filosofia como Nietzsche e Freud; Schopenhauer fundamenta sua própria ética como contraponto à moral kantiana.
Com a leitura da presente obra - “Sobre o Fundamento da Moral” - Schopenhauer não faz distinção entre moral e ética; no começo do livro ele diz que é preciso resgatar o assunto ético esquecido por muitos, ele quer tirar o encosto que apóia a ética, colocado por Kant; Schopenhauer usa o termo ética no começo da obra, mas na segunda parte, ele usa moral, mas não faz distinção entre os dois termos.
Como veremos Schopenhauer se aproxima de Aristóteles pelo fato de sua ética seguir a natureza, no caso, a natureza humana; também aproxima-se de, certa forma, dos Empiristas pelo fato de seu fundamento da moral ser posto em bases sólidas, palpável, experimentável; e - como é sabido - assemelha-se a Platão pelo fato de “na teoria Schopenhaueriana da arte a Vontade, como o Uno de Plotino, se manifesta antes nas Idéias eternas e depois com o intelecto se projeta no mundo dos fenômenos”.
É importante ressaltar - como o próprio Schopenhauer insiste – que ele dialoga com a obra: “Fundamentação da Metafísica dos Costumes” de Kant em sua 3ª edição de 1792.
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