PLOTINO

Plotino (205 d.C – 270 d.C), foi um filósofo neoplatônico, mas manteve sua originalidade. Ele abriu sua escola em Roma, mas, a princípio, não publicou trabalho algum por causa de uma promessa feita com seus dois colegas Erênio e Orígenes, mas posteriormente quebraram esse pacto e começaram a publicar.

Cornelius Castoriadis – filósofo contemporâneo – diz que um filósofo escreve e publica, porque crê que tem coisas verdadeiras e importantes a dizer, mas, também, porque quer ser discutido e, ser discutido implica a possibilidade se ser criticado e, eventualmente, refutado. É de se observar que para ser filósofo o homem tem que expor seu pensamento e não ter meso de ser criticado, por isso é filósofo.

Plotino concebe o Uno-Bem como sendo algo “acima do ser”, acima da inteligência e acima da vida; o Uno é infinito. Ele também utiliza o termo “Bem” como sendo Bem-em-si (semelhante a Platão). Plotino tem um pensamento de que o uno se “autocoloca” é o “Bem que se cria a si mesmo”.

Se analisarmos este pensamento plotiniano teremos a forte tentação de dizer que esse Uno que está acima do ser da inteligência e da vida e que é infinito, é simplesmente Deus. E foi Esso que fizeram os filósofos-teólogos da Idade Média para conciliar o pensamento filosófico pagão grego com o novo pensamento Cristão.

Plotino diz que o Uno é auto-suficiente e dele procede todas as coisas. É como um raio de luz nas trevas que emana sua luz em forma de círculos sucessivos, “luz da luz”, também é como uma substância odorífera que exala seu cheiro ao seu redor. Em suma, o Uno se cria e cria todas as coisas por necessidade desejada. Esse pensamento, no cristianismo, se assemelha a pessoa de Jesus: Jesus que é luz da luz, que por ele tudo foi criado.

Do Uno procede o Nous (Espírito), da seguinte maneira: da atividade do uno nasce o Espírito que é uma “matéria inteligível”, que para subsistir deve a) voltar para “contemplar” o Uno e fecundar-se e b) contemplar a si mesma fecundada. Assim como o Uno é a “potência de todas as coisas” e Espírito torna-se “todas as coisas”. Do Espírito procede a alma que dá origem ao cosmos físico.

Primeiramente a alma cria a matéria e posteriormente ele dá forma à matéria. Segundo Plotino o cosmo físico é perfeito e é cópia que imita o modelo do Espírito.

Resumidamente, o Uno é infinito e está acima do ser, da inteligência e da vida ( primeira hipóstase); do Uno nasce o Nous, que se torna o Ser, o Pensamento e a vida (segunda hipóstase), o Nous, por sua vez, cria a alma que dá origem ao cosmo físico (terceira hipóstase).

É da natureza do ser humano acreditar em algo além desse mundo, o metafísico, para confortar o espírito; na Grécia Antiga os deuses e mitos eram as entidades superiores; na Idade Média, a idéia de Deus; em outros tempos, seres extras terrestres. Por mais que a ciência moderna se desenvolva ela não dá respostas para tudo e a alma humana sempre pede mais e mais, isso prova que o homem não é somente logos (razão) como acreditavam o Estóicos, mas uma explosão de paixão e razão ao mesmo tempo, por isso somos muitas vezes infelizes. Plotino com a ideia do uno – em uma releitura platônica – dá sentido ao seu mundo e aos anseios da sociedade em que vive.

Plotino e sua filosofia tiveram grande credibilidade em Roma e ele possuía amigos influentes como o imperador Galiano e sua mulher Solonia e outros poderosos políticos. Sua credibilidade era tanta que chegou a fazer um projeto para construir uma cidade de filósofos chamada “Platonópolis”, cujos habitantes teriam de “observar as leis de Platão”, ou seja, viver realizando a união com o divino. No meu ponto de vista as idéias de Platão foram fortemente cristianizadas e revestidas de um tom religioso como podemos confirmar na Idade Média.

Segundo a filosofia plotiniana o homem é alma e o seu destino consiste na reunião com o divino; o que Plotino trás de diferente é que já nesta terra é possível realizar a separação do corpóreo e a reunião com o Uno; por esse ponto de vista, a filosofia da era helenística também pregava que era possível se feliz em meio aos tormentos. O pensamento católico vai dizer que com Deus tudo é possível e sem ele nada pode ocorrer à vida do homem; o que diferencia é que no cristianismo a felicidade está em o homem aproximar-se se Deus – “só Deus salva” – na filosofia plotiniana o homem possui um “instinto” (grifo meu) transcendente que pode unir o homem ao divino. Eu diria “instinto” porque é algo inconsciente, automático e, até mesmo, necessidade que o homem tem de se ligar a algo acima da compreensão humana.

Para Plotino existem várias formas de retornar ao absoluto, ao Uno e são elas: a) pelo caminho da virtude; b) pelo caminho da erótica platônica; c) pelo caminho da dialética; e d) pelo caminho da “simplificação” – este último acrescentado por Plotino.

Desenvolvimento do Neoplatonismo e fim da Filosofia Pagã Antiga

O Neoplatonismo teve vários desdobramentos com as seguintes escolas:

1. Primeira Escola de Alexandria, fundada por Amônio Sacas em torno de 200 d.C.

2. Escola de Plotino em Roma, 244 d.C. Com tendências metafísico-especulativa pura.

3. Escola de Síria, fundada por Jâmblico pouco depois da 300 d. C. Esta escola juntamente com a Escola de Atenas fazem uma combinação entre a tendência filosófica e a tendência místico-religiosa-teúrgica.

4. Escola de Pérgamo, fundada por Edésio - em 363 d.C. – discípulo de Jâmblico. Esta acentua uma decadência do componente filosófico-especulativo.

5. Escola de Atenas, fundada por Plutarco de Atenas entre fins do séc. IV e começo do séc. V d.C.

6. Segunda Escola de Alexandria. Esta simplifica o Neoplatonismo.

Estas escolas filosóficas mostram que o homem é um ser social-histórico que reflete e é influenciado pela sociedade e pelo meio em que vive.

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