ÉTICA E INTERNET

Ética e Internet
Internet
Histórico
A Internet, surgiu por vias militares nos períodos áureos da Guerra Fria. Na década de 60, quando dois blocos antagônicos politicamente, socialmente e economicamente exerciam enorme controle e influência no mundo, qualquer mecanismo, qualquer inovação, qualquer ferramenta nova poderia contribuir nessa disputa lideradas pela União Soviética e por Estados Unidos. Indispensável dizer que as duas superpotências compreendiam a eficácia e necessidade absoluta dos meios de comunicação.
Nessa perspectiva, o governo dos Estados Unidos temia um ataque às suas bases militares pela URSS. Acontece que em caso de um ataque (deve-se levar em consideração o clima de tensão que permeia a década de 60), informações importantes e sigilosas poderiam ser perdidas não oferecendo aos EUA condições de resistência e reação. Então foi idealizado um modelo de troca e compartilhamento de informações que permitisse a descentralização das mesmas. Assim se o Pentágono fosse atingido, as informações armazenadas ali não estariam perdidas. Era preciso, portanto, criar um rede, a ARPANET, criada pela ARPA, sigla para Advanced Research Projects Agency. Vale lembrar que em 1962, J.C.R LickLider do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) já falava em termos da existência de uma "Rede Galáxica".
A ARPANET funcionava através de um sistema conhecido como chaveamento de pacotes, que é um esquema de transmissão de dados em rede de computadores no qual as informações são divididas em pequenos "pacotes", que por sua vez contém trecho dos dados, o endereço do destinatário e informações que permitiam a remontagem da mensagem original. O ataque inimigo nunca aconteceu, mas o que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos não sabiam era que tinha acabado de dar o pontapé inicial para o maior fenômeno midiático do século. O único meio de comunicação que em apenas 4 anos conseguiria atingir cerca de 50 milhões de pessoas.
Já na década de 70, a tensão entre URSS e EUA diminui. As duas potências entram definitivamente naquilo em que a história se encarregou de chamar de Coexistência Pacífica. Não havendo mais a iminência de um ataque imediato, o governo dos EUA permitiu que pesquisadores desenvolvessem, nas suas respectivas universidades, estudos na área de defesa e puderam entrar na ARPANET. Com isso, a ARPANET começou a ter dificuldades em administrar todo este sistema, devido ao grande e crescente número de localidades universitárias contidas nela.
Dividiu-se então este sistema em dois grupos, a MILNET, que possuía as localidades militares e a nova ARPANET, que possuía as localidades não militares. O desenvolvimento da rede, nesse ambiente mais livre, pôde então acontecer. Não só os pesquisadores como também seus alunos e os alunos de seus amigos, tiveram acesso aos estudos já empreendidos e somaram esforços para aperfeiçoá-los. Houve uma época nos Estados Unidos em que nem se quer se cogitava a possibilidade de comprar computadores prontos, já que a diversão estava em montá-los.
A mesma lógica se deu com a Internet. Jovens da contracultura, ideologicamente engajados ou não em uma utopia de difusão da informação, contribuíram decisivamente para a formação da Internet como hoje é conhecida, a tal ponto que o sociólogo espanhol e estudioso da rede, Manuel Castells, afirmou em seu livro "A Galáxia da Internet" (2003) que "A Internet é, acima de tudo, uma criação cultural".
Um esquema técnico denominado Protocolo de Internet (Internet Protocol) permitia que o tráfego de informações fosse encaminhado de uma rede para outra. Todas as redes conectadas pelo endereço IP na Internet comunicam-se para que todas possam trocar mensagens. Através da National Science Foundation, o governo norte-americano investiu na criação de backbones (que significa espinha dorsal, em português), que são poderosos computadores conectados por linhas que tem a capacidade de dar vazão a grandes fluxos de dados, como canais de fibra óptica, elos de satélite e elos de transmissão por rádio. Além desses backbones, existem os criados por empresas particulares. A elas são conectadas redes menores, de forma mais ou menos anárquica. É basicamente isto que consiste a Internet, que não tem um dono específico.
A World Wide Web
Na década de 80, o interesse pela rede se amplia e mais pesquisas foram realizadas. Em 1989 a contribuição do cientista Sir Tim Berners-Lee do CERN, Conseil Européen pour
Em Agosto de 1991, Berners-Lee publicou seu novo projeto para a World Wide Web, dois anos depois de começar a criar o HTML, o HTTP e as poucas primeiras páginas web no CERN, na Suíça. O CERN não tinha idéia da escala que a World Wide Web tomaria. Em 1993 o centro quis abrir mão do direito de propriedade dos códigos básicos do projeto de um sistema global de hipertexto.
Em 1994 a NCSA lança o primeiro browser para a Web, o navegador X Windows Mosaic 1.0. O lançamento deste browser foi o responsável pela popularização da Internet, que desta maneira saía do meio acadêmico e passou a fazer parte do cotidiano de pessoas comuns. Em 1996 a palavra Internet já era de uso comum, principalmente nos países desenvolvidos, referindo-se na maioria das vezes a WWW. Esta confusão entre a nomenclatura Internet e Web é freqüente até hoje, mas é importante ressaltar que a Web é só uma parte da Internet.
Por fim, vale destacar que já em 1992, o então senador Al Gore, já falava na Superhighway of Information. Essa "super-estrada da informação" tinha como unidade básica de funcionamento a troca, compartilhamento e fluxo contínuo de informações pelos quatro cantos do mundo através de um rede mundial, a Internet. O que se pode notar é que o interesse mundial aliado ao interesse comercial, que evidentemente observava o potencial financeiro e rentável daquela "novidade", proporcionou a popularização da Internet na década de 90. Até 2003, cerca de mais de 600 milhões de pessoas estavam conectadas à rede. Segundo a Internet World Estatistics, em junho de 2007 este número se aproxima de 1 bilhão e 234 milhões de usuários.
A Internet no Brasil e a RNP

No Brasil, os primeiros embriões de rede surgiram em 1988 e ligavam universidades do Brasil a instituições nos Estados Unidos. No mesmo ano, o Ibase começou a testar o AlterNex, o primeiro serviço brasileiro de internet não-acadêmica e não-governamental. Inicialmente o AlterNex era restrito aos membros do Ibase e associados e só em 1992 foi aberto ao público.
Em 1989, o Ministério da Ciência e Tecnologia lança um projeto pioneiro, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Existente ainda hoje, a RNP é uma organização de interesse público cuja principal missão é operar uma rede acadêmica de alcance nacional. Quando foi lançada, a organização tinha o objetivo de capacitar recursos humanos de alta tecnologia e difundir a tecnologia internet através da implantação do primeiro backbone nacional.
O backbone funciona como uma espinha dorsal, é a infra-estrutura que conecta todos os pontos de uma rede. O primeiro backbone brasileiro foi inaugurado em 1991, destinado exclusivamente à comunidade acadêmica. Mais tarde, em 1995, o governo resolveu abrir o backbone e fornecer conectividade a provedores de acesso comerciais. A partir dessa decisão, surgiu uma discussão sobre o papel da RNP como uma rede estritamente acadêmica com acesso livre para acadêmicos e taxada para todos os outros consumidores. Com o crescimento da internet comercial, a RNP voltou novamente sua atenção para a comunidade científica.
A partir de 1997, iniciou-se uma nova fase na internet brasileira. O aumento de acessos a rede e a necessidade de uma infra-estrutura mais veloz e segura levou a investimentos em novas tecnologias. Entretanto, devido a carência de uma infra-estrutura de fibra óptica que cobrisse todo o território nacional, primeiramente, optou-se pela criação de redes locais de alta velocidade, aproveitando a estrutura de algumas regiões metropolitanas. Como parte desses investimentos, em 2000, foi implantado o backbone RNP2 com o objetivo de interligar todo o país em uma rede de alta tecnologia.
Atualmente, o RNP2 conecta os 27 estados brasileiros e interliga mais de 300 instituições de ensino superior e de pesquisa no país.
Outro avanço alcançado pela RNP ocorreu em 2002. Nesse ano, o então presidente da república transformou a RNP em uma organização social. Com isso ela passa a ter maior autonomia administrativa para executar suas tarefas e o poder público ganha meios de controle mais eficazes para avaliar e cobrar os resultados. Como objetivos dessa transformação estão o fornecimento de serviços de infra-estrutura de redes IP avançadas, a implantação e a avaliação de novas tecnologias de rede, a disseminação dessas tecnologias e a capacitação de recursos humanos na área de segurança de redes, gerência e roteamento.
A partir de
Ética e a Internet
A internet é uma invenção do exército dos E.U.A com o intuito de proteger as informações contídas no pentágono na década de 1960, mas com o passar do tempo esta tecnologia foi se difundindo pelas universidades, empresas públicas, particulares até chegar a população.
Atualmente, se discute muito sobre a ética no uso da web, pois muitos crimes praticados no mundo real foram tranferidos para a realidade virtual.
No site “Yahoo! Respostas Brasil” foi feita a seguinte pergunta : “Deve existir ética na internet ?”; varias foram as respostas:
· Resposta dada por “Fidelis”: “Ética na internet? Sim poderia existir e pode!.. Mas é uma questão de escolha, eu posso ser ético, ciclano não! O mais legal da internet é esse nosso poder de resposta e comunicação. A internet é uma mídia de comunicação em Massa onde o receptor da mensagem tem direito a uma resposta. Diferente da TV, onde o Willian Bonner nos da boa noite, e não temos como responde-lo. Até podemos, mas não irá nos ouvir! que chato né?.. Por essas e outras sou fã do cyberespaco.. Internet!”
· Resposta dada por “Hokus Phokus”: “Ética é um atributo humano, não de hardwares ou softwares. Hackers não são Crackers, que não são Lammers ou ScriptKidies. Pra que se crie uma "Ética" de internet, todos teriam que saber exatamente o que fazem e como se proteger. Se soubessem fazer isso, não seria necessária essa pergunta, ném a criação da tal ética: ou se aprende, ou se paga quem faz. Pra crimes existe a polícia que inclusive trabalha na internet. Vemos isso periodicamente quando prendem um bando de "CRACKERS" aqui ou ali. Usa Anti virus, Firewall, Anti Spyware, mantenha seu sistema atualizado, faça backup, não salve senhas, não abra e-mails desconhecidos, etc et e tal. Pombas, tanta gente trabalhando de verdade pra melhorar isso, pessoas denunciando, fazendo slides que enchem a caixa de e-mail com avisos de como se proteger, os sites avisando sobre spams, "hackers" trabalhando no melhoramento dos sistemas operacionais, e uma pergunta dessas agora? Não falta informação, falta é força de vontade !”
· Resposta dada por “SoulFLY”: “ Eu acho que não! Já temos muitas éticas e padrões na vida real ... sou a favor da liberdade na net a todo custo...”
· Resposta dada por “FOX”: “Ética: Parte da filosofia que estuda os deveres do homem para com Deus e a sociedade; deontologia; ciência da moral. Não deve existir e acredito que nunca haverá ética na internet. O que deve ocorrer é que; leis do mundo real sejam adaptadas ou aplicadas para o mundo virtual a internet. No caso da internet é dificil aplicar punições, pois não depende apenas, das leis locais de um país. Qualquer pessoa pode, oferecer conteúdo ou práticar atos criminosos de qualquer parte do mundo. Basta apenas, brechas nas leis locais de algum país. No caso do Brasil, o que é crime aqui, pode não ser, em outro país. Agora o nickname ou não, não existe diferença. O mesmo cuidado que devemos ter, com o mundo real, também devemos ter, com o mundo virtual. Pois as pessoas são as mesmas.”
· Resposta dada por “temqter”: “Sim. Tem que existir ética em tudo! Ter ética não significa falta de liberdade. A falta de ética é que te trará problemas de falta de liberdade. Liberdade não é esculhambação.”
Algumas pessoas são a favor outras contra, mas o importante é debater amplamente o assunto e, é por isso que algumas escolas particulares de São Paulo estão introduzindo no currículo escolar o tema “Ética no uso da Internet” com o intuito de conscientizar os alunos para o bom uso desta tecnologia. Por exemplo, o tradicional colégio Bandeirantes (zona sul - SP), capacitou os professores sobre o assunto e distribuiu cartilhas para os alunos com as implicações criminais que o mau uso da internet pode causar; outro colégio de São Paulo que também aderiu a o projeto Ética na Internet é o Augusto Laranja (zona sul – SP), que foca o uso da internet nos trabalhos de pesquisa, mostram aos aluno que pesquisar na web não é somente copiar e colar, mas se embasar nestas fonte e escrever com as próprias palavras.
É interessante notar que as pessoas que são contra a ética na internet alegam que os internaltas são capazes de reconhecer sites ofensivos e por espontânea vontade não acessa-los, é muita inocência achar que por livre e espontânea vontade menores de idade – e até mesmo adultos – não acessem páginas ofensivas e, é por isso que vários projetos de lei estão tramitando no SENADO FEDERAL brasileiro com o fim de regulamentar o uso deste recurso da informática, alguns destes projetos são:
- “PLS 337/03, apresentado em 19/08/2003 pelo Sen. Paulo Paim (PT/RS) Define o crime de veiculação de informações que induzam ou incitem a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, na rede Internet, ou em outras redes destinadas ao acesso público.”
- “PLS 363/03, apresentado em 27/08/2003 pelo Sen. Paulo Octavio (renúncia) Torna obrigatória a inserção de mensagens alusivas aos danos decorrentes do consumo de drogas nas páginas da Internet.”
- “PLS 508/03, apresentado em 08/12/2003 pelo Sen. João Ribeiro (PR/TO) Acrescenta dispositivo ao Decreto-Lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940 - Código Penal - para considerar crime a prática dos atos nele indicados (utilização indevida de dados e informações cadastrais alheias).”
- “PLS 87/04, apresentado em 15/04/2004 pelo Sen. Tião Viana (PT/AC)
Modifica a Lei nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998, para oferecer garantias de privacidade aos usuários de programas de computador.”
- “PLS 291/08, apresentado em 05/08/2008 pelo Sen. Expedito Júnior (PR/RO) Altera o art. 36 e o § 3º do art. 45 da Lei n° 9.504, de 30 de setembro de 1997, para permitir a propaganda eleitoral pela Internet.”
- “PLS 121/08, apresentado em 08/04/2008 pelo Sen. Magno Malta (PR/ES) Proíbe as empresas de cartões de pagamento de autorizarem transações relacionadas com jogos de azar e pornografia infantil via rede mundial de computadores.”
- PLS 736/07, apresentado em 21/12/2007 pelo Sen. Romeu Tuma (PTB/SP) Altera dispositivos do Decreto-Lei 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo Penal, para prever a realização de interrogatório do acusado preso por videoconferência.
O problema da internet é que o antiético pode se esconder por trás de falsos nomes, os que são a favor da ética na web são pessoas de bem e aqueles que dizem que as pessoas têm que saber o que é certo e o que é errado na “net” são a favor da liberdade total. A internet pode parecer uma “terra” sem lei, mas aos poucos são criadas leis e códigos de conduta para normatizar seu uso.
É indiscutível os benefícios que que a web trás para o conforto humano, como por exemplo, o ganho de tempo em pesquisas de preços em lojas com site, partilhar informações, se informar sobre o que ocorre no mundo, movimentar as finânças sem necessitar ir ao banco, participar de confêrencias e aulas virtuais, usar como intetenimento (jogos, torneios, humor), fazer compras, pagar faturas, baixar músicas e etc; mas tanta facilidade também causa problemas, ficar muito tempo de frente para o computador causa cansaço ocular:
“O olho humano está acostumado a mudar o foco constantemente, para objetos pertos e longes. Entretanto, quando se fica muito tempo olhando para uma tela de computador, a distância tende a ser fixa. Ao longo do tempo, pode-se ter dores de cabeça, dor nos olhos, olhos secos, visão embaralhada, sensibilidade à luz e inabilidade temporária de fazer foco.”
(REDAÇÃO TERRA, 2007).
Muitos internaltas - com o uso exessivo da internet - esquecem que existe um mundo fora de casa e começam a se viciarem em computador e internet não conseguindo ter convívio social e acabam sendo internados em clínicas de reabilitação para viciados em internet.
Outro ponto importante a ser lembrado são os crimes virtuais mais praticados na rede como os crimes bancários e finaceiros, plágios, falsos e-mails com vírus, publicações de fotos e videos pornográficos, ameaças de estranhos, etc.
Os mesmos problemas éticos em relação ao jornalismo televisivo e impresso também migram para o ciber espaço: saber “como” e o “que publicar” sem ferir os direitos individuais dos cidadão.
Talves –pelo menos no Brasil - a ética no rádio, na tv, no jornal impresso já se tenha delimitado, mas, já na internet, esse ponto ainda está em processo, mas não esquecido.
A ética é um atributo da vontade humana e como tal deve, sempre, ser discutida sem preconceitos para uma melhor convivência entre as pessoas e é por causa disso que no último dia 28 de Outubro de 2008 três grandes empresas assinaram um código de ética (oficial) para a internet:
“Microsoft, Google e Yahoo divulgaram nesta terça-feira (28) um código de conduta conjuntos para oferecer proteção à liberdade de expressão na internet e garantir a privacidade de usuários contra a intromissão de governos no ambiente online; o novo código se chama Global Network Initiative”
(G1.com, acesso 2008).
Este código de ética também possui motivações econômicas, pois os empresários alegam que quando os internautas se sentem seguros para navegarem na web, favorecem as trocas comerciais on-line.
Bibliografia
· CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003. 243 p.
· FIGUEIREDO, José C.; GIANGRANDE, Vera. Comunicação sem Fronteiras: da pré-história à era da informação. São Paulo: Gente, 1999. 150p.
· STRAUBHAAR, Joseph; LAROSE, Robert. Comunicação, Mídia e Tecnologia. DUARTE, José A. L. (Trad.). São Paulo: Pioneira Thomsom Learning, 2004. 303p.
· <http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Internet> em 14/10/2008 às 14:01h
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