O PODER PAPAL EM GUILHERME DE OCKHAM



Capítulo2: Origem do Poder Papal


(Papa BentoXVII)

Sendo, Cristo, Deus, ele podia dar poder espiritual a Pedro para, assim, ter autoridade para comandar a Igreja de seu mestre Jesus. Podemos dizer que o poder espiritual do Sumo pontífice vem de Pedro que, por sua vez, vem do Cristo que, por fim, vêm do próprio Deus, segundo a autenticidade das sagradas escrituras. Em São Mateus (16,16-19), lemos:


“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e a porta do Inferno não prevalecerá contra ela. Dar-ter-ei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que ligares na terra ficará ligado no céus; e tudo que desligares na terra ficará desligado no céus.”


Os comentadores sagrados afirmam que o poder Papal recebido do Cristo se estende não somente ao espiritual, mas , também , ao temporal , visto que o próprio Cristo Jesus disse: “(...) e tudo o que ligares na terra ficará ligado nos céus; e tudo que desligares na terra ficará desligado nos céus”. (Mt 16,19 grifo meu). Ora, Jesus disse “tudo” e não fez exceções (OCKHAM, 1988), logo se compreende que o poder espiritual Católico se estende ao poder temporal mundano, como foi dito no capítulo anterior: comandando a forma de organização social e política a Igreja Católica Romano cumpre fielmente o papel que lhe foi dado pelo próprio Deus de apascentar as suas ovelhas, ou seja, os fiéis.

É interessante observar como a Igreja Católica é altamente organizada. Primeiramente o Papa, como sucessor de Pedro , abaixo, os Cardeais, Arcebispos Bispos, Párocos, Padres e por último os fiéis; foi essa organização que permitiu com que no feudalismo europeu, aquela, fosse a única instituição a sobreviver as invasões bárbaras. É uma monarquia: o Papa possui o poder de Rei, o contingente dos fieis: os súditos e os consagrados os auxiliares do Rei. Bem semelhante disso é o pensamento aristotélico: “(...) é preferível, para todo Estado, à Monarquia, que é do governo de um só. (ARISTÓTELES, 2002:157).

A palavra Pedro em grego significa pedra: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”, dando a ideia de instituição sólida, de uma hierarquia respeitada e fundamentada nas palavras do Cristo, um poder Papal inquestionado, pois não se questiona as palavras do Cristo; e isto, deu origem ao dogma da infabilidade Papal.

O dogma da infabilidade Papal nos diz que as decisões Papais são todas infalíveis , ou seja, não incorre no erro e aquele que discutir sobre esse dogma pratica sacrilégio. Fosse esse dogma que fez com que o poder espiritual católico sobrevivesse até os nossos dias, pois se o Papa possui poder vindo de Deus, ele não erra em suas decisões, por estar apoiado na sabedoria divina. Mas como veremos no próximo capítulo as Papas abusaram desse poder que lhes foi conferido por Deus através de Cristo a Pedro.

Analisando a seguinte passagem Bíblica do Apóstolo Paulo (Cl 3,20): “Filhos, obedecei em tudo a vossos pais”, concluímos que “Papa” é a expressão de Pai, comumente chamado pelos cristão, e se o Papa é chamado de Pai pelo cristão estes têm de obedecê-lo como prescreve o Apóstolo.

A Igreja medieval era senhora de mais da metade das terras da Europa possuindo centenas de sevos, e isto, lhe conferia autoridade nos assuntos políticos e pelas palavras de Paulo (Cl 3,22): “Servos, obedecei a vossos senhores terrenos não só na presença”, os servos tinham que obedecer aos mandos do Podre Papal sem a ciência do questionamento



(São João Bosco)

São João Bosco (1845-1888), fundador da congregação salesiana, tinha muitos sonho-visão e um destes sonhos foi relacionados à figura do Papa. Diz Dom Bosco que uma terrível batalha estava sendo desencadeada no mar por uma multidão de embarcações, pequenas e grande, contra um único e majestoso navio, símbolo da Igreja. Este navio, várias vezes atingido, mas sempre vitorioso, era guiado pelo Papa e atrás dele os Cardeais e Bispos. Guiado pelas mãos do Papa o navio ancorou seguro entre duas colunas saídas do mar. A primeira tinha em cima uma grande hóstia onde se liam em grande faixa as palavras “Salus credentium” (salvação dos crentes); na outra coluna, mais baixa, a estátua da Imaculada com as palavras “Auxilium Christianoru” (Auxilio dos Cristãos). Quando a notícia do sonho-visão de Dom Bosco chegou aos ouvidos do Cardeal Schuster, ele pediu que reproduzisse a visão das duas colunas, que apareciam no sonho, pois o Cardeal acreditava que a visão era de grande atualidade: “(...) a Igreja e o povo cristão só se salvará com estas duas devoções: a Eucaristia e Maria, Auxílio dos Cristãos”.

O Pe. Jonas Abib, fundador da Comunidade Canção Nova, afirma que o Papa a quem o sonho se refere é sem dúvidas o Papa João Paulo II, pois ele tomou à frente a missão da Igreja., a conduzir no meio de tantas peripécias e tantos inimigos no mundo inteiro e a levou para um porto seguro, afirma. E também por exaltar a Eucaristia e Maria Santíssima.

Podemos ler nas entrelinhas deste sonho e no comentário do Pe. Jonas Abib que Dom Bosco exalta o poder papal: “Guiado pelas mãos do Papa o navio ancorou seguro (...)”; este é um exemplo de como, no decorrer da história, a autoridade e o respeito papal foi engrandecido com testemunhos dos Santo.

Na carta Dictatus Papae, de Gregório VII, Patrologia latina, v. 148, p.407- 408, vemos claramente fundamentado o poder Papal: “só a Igreja Romana foi fundada por Deus. 2. Só o Pontífice Romano, portanto, tem o direito de ser chamado universal”; na mesma carta lemos também: “(...) 9. Todos os príncipes devem beijar só seus pés. 10. O seu nome deve ser recitado em todas as igrejas. 11. O seu título é único no mundo”; e mais adiante: “a Igreja Romana, segundo testemunha a Escritura, nunca errou e jamais errará. 23. O Romano Pontífice, escolhido conforme a eleição canônica, será indubitavelmente santificado pelos méritos do bem-aventurado Pedro, segundo afirma Santo Enódio, bispo de Pavia, em consenso com muitos Santos Padres, conforme está escrito nos decretos do Papa Símaco”.

Não temos dúvidas de que o origem do poder espiritual Papal vem das Sagradas Escrituras, agora, e o que temos que fazer é uma clara distinção entre o poder temporal – concedido aos Reis – e o poder espiritual – concedido aos Papas – é o que fará o franciscano Guilherme de Ockham no século XIV, com veremos no capítulo que

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